terça-feira, 4 de setembro de 2007

Um novo passo... "Aniversário de casamento"

Estamos, em passos lentos, devido ao processo de montagem de nosso espetáculo de conclusão do CEFET-CE "A semente", dando início a um antigo e novo processo, fomos agraciados ano passado na categoria de montagem no Edital das Artes da FUNCET com o texto "Aniversário de casamento", de Sérgio Abritta, estarão no elenco eu e Jacqueline, e Silvero assinará a direção. Foi esse texto que deu origem ao grupo, "As vivas cores da ilusão", uma adaptação do texto do Abritta, (esquete/2006) inicialmente era pra ser montada por Silvero e Jacque, Sil não pode fazer, e eu acabei entrando no elenco e ele dirigindo. Por isso, o espetáculo tem todo um gosto especial, seria o nosso primeiro passo, mas, primeiro, veio "As rosas"...
Começar um processo é sempre uma incógnita, e é incrível como nossa visão acerca da montagem, do texto, do conteúdo e forma vão se modificando, modificando, em questão de minutos... Tenho experimentado isso nas poucas experiências que tive até aqui. É um espetáculo visto, um filme assistido, um novo livro lido, o comentário de um colega, outras experiências... A eterna morte da forma, a eterna efemeridade do teatro e do pensamento que o cerca, a busca incessante e aberta de nossas cabeças. Só Deus sabe em que tudo isso irá resultar! E é o que mais me atrai no teatro a sua possibilidade de reinvenção... De uma vontade faz-se um todo múltiplo! Gosto de teatros, e não de teatro!
Hoje pela manhã, numa aula no Direito, com muito sono, comecei a escrever algo, sem saber no que ia dar, depois de feito, percebi que é fruto das leituras de Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu, de uma conversa acerca da estética (encenação e pensamento) de "Aniversário de casamento" que tive com Silvero ontem e de um espetáculo fantástico que assisti no domingo (Irremediável, do Grupo Engenharia Cênica de Sobral-CE). Aí vai...
Eu quero é permanecer no sono! Inconsciente, letárgico, dormente... Ah, como você me dói; é uma ferida profunda n'alma, você não estanca... Hemorragia eterna! Já... Já procurei cura pro meu sofrer, vasculhei tempo, livros, pedras, espaços, diários, campos, cabelos, galáxias, mas nada, nada, só uma via existe... E é pena... Viagem sem volta essa minha; tantas estradas, muitas curvas nos caminhos do mundo, mas só uma consola... Fique tranqüila! Não há por que se assustar. Já travei minhas porteiras, os cavalos estão presos. Calma! Eles podem ser domados... Será que existem mesmo entradas e saídas? Sim! Pois, nós, um dia, saimos, entramos, pulamos, corremos muito sem cansar. Foi você que me levou... o meu querer já não é meu; eu? Eu já não sou mais eu.

Gyl Giffony

Um comentário:

Amanda Nogueira disse...

O teatro instiga a compreensão de nós mesmos a tal ponto, que o auto-conhecimento se torna extremamente necessário para a constituição do próprio teatro!
Parabéns por mais um passo...
Será sempre um privilégio estar na primeira fila de espetáculos vindos de tão doce criatividade!
Beijos ao meus amigos do 3x4...